Impressora não fiscal e stand up comedy: tecnologia a serviço do riso

A impressora não fiscal diminui os custos na produção de ingressos

As bilheterias, com tickets criados na hora com a impressora não fiscal, de bares, teatros e as novas casas especializadas em comédia comemoram recordes de público a cada mês. Esta tendência vem aumentando nos últimos anos com uma nova geração que sacudiu os alicerces do humor nacional, que andava em certa sonolência, preso a clichês nos últimos vinte anos. “Desde o fim de Os Trapalhões, na década de 1990, vivemos uma fase muito ruim na comédia brasileira. Há algumas exceções como o sit com Sai de Baixo, da Rede Globo, mas de resto, foram anos tristes para toda a nação”, comenta o blogueiro Denis R. Molina, que produz um podcast semanal sobre o tema.

Hoje, a cada apresentação, a impressora não fiscal não para de trabalhar, e os shows de muitos artistas, como o de Fábio Porchat, só se consegue as entradas reservando antecipadamente. “Do ponto de vista da produção, um stand up comedy é um show barato de se fazer. Os próprios artistas, como Danilo Gentili ou Marco Luque, com seu renome já atraem o público, não há gastos com cenário, e os ingressos são personalizados, feitos na hora com a impressora não fiscal. É uma estratégia muito rentável, mesmo que em alguma noite a casa não fique cheia, os custos são baixos e podem ser cobertos com os rendimentos do bar e da cozinha”, diz Márcio L. Bittencourt, sócio de um bar em Moema, zona sul de São Paulo, que se especializou em comédia. “Gostamos de variar. Ao mesmo tempo em que convidamos grandes nomes da cena, também abrimos espaço para jovens promissores mostrarem seu talento”, ele acrescenta.

impressora nao fiscal

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A junção da capacidade dos artistas com formas revolucionárias de divulgação e vendas, como a produção dos ingressos na impressora não fiscal na hora da compra, evitando desperdícios, é uma das marcas das produções dos últimos anos. “A tecnologia é algo presente no dia a dia dessa geração. Seja no trabalho, na escola ou no lazer, eles estão aproveitando as mesmas facilidades que os jovens do resto do mundo. Hoje, uma banda consegue instrumentos de primeira linha com custos mais acessíveis. É possível divulgar as canções através das redes sociais, as ferramentas de trabalho estão nas mãos de quem tem aptidão”, afirma Marcelo Mansfield, humorista de longa data e integrante do elenco do talk show Agora é Tarde, apresentado por Rafinha Bastos, todas as noites na Band.

Segundo ele, os humoristas atuais começaram a divulgar seus trabalhos através do youtube, uma plataforma gratuita e que atinge muita gente. “Em 2006, mais ou menos, começamos a gravar as apresentações do Terça Insana e a fazer o upload para o site, e muita gente depois do show, vinha nos cumprimentar, e dizia que sempre assistia no computador, mas que ao vivo era mais engraçado”.

Esse é o retrato desse novo humor brasileiro. O uso de tecnologias como redes sociais e a impressora não fiscal. E uma revolução criada pelos próprios artistas, que investiram na carreira e no público para só depois chegarem a grande mídia. Não foi algo imposto por gigantes da comunicação, mas criado por quem gosta de rir e fazer rir.